Estudo sintético sobre a Família Monteiro Lobo, publicado na década de 80 em Cadernos de Família, por Nilza Cantoni, atualizados com dados dos mais antigos documentos do Arquivo Público Municipal de Leopoldina.

 

O estudo desta família baseou-se, inicialmente, na “Genealogia Mineira” de Artur Rezende. Dali recolhemos dados de moradores da Freguesia da Meia Pataca, da época em que era vinculada a Leopoldina. Entre outros, o sobrenome Lobo chamou-nos a atenção. Através das Cartas de Concessão de Sesmarias, localizamos Ana Benedita de Ávila Lobo Leite, Francisca Augusta de Ávila Lobo Leite e Maria Crispiniana de Ávila Lobo Leite como beneficiárias, em agosto de 1817, de terras às margens de um ribeirão que deságua no rio Paraíba do Sul, pouco antes deste rio receber o ribeirão Louriçal. Remontando ao início do povoamento do lugar, não logramos êxito em nossas buscas. Apenas a partir de 1861, vimos surgir o sobrenome Lobo Leite Pereira. O grupo familiar, então composto, foi o seguinte:

 

FERNANDO LOBO LEITE PEREIRA, nascido por volta de 1800, filho de Antonio Agostinho Lobo Leite Pereira e Ana Francisca de Avila e Silva; casou-se com MARIA JOSÉ DE SEABRA, filha de José Coelho Seabra e Francisca Umbelina de Ávila Lobo Leite.

Segundo Artur Vieira de Rezende, à folha 108 e seguintes, do volume II, 2ª parte, de sua “Genealogia Mineira”, após a perda do marido em 1841, seguida do falecimento de seus pais e de um filho, Maria José de Seabra mudou-se para a localicade de Sereno, então Freguesia da Meia Pataca, Vila Leopoldina.

 

Entre os filhos do casal Fernando-Maria José, nem todos residiram em nosso território. Foram eles:

Neste estudo, mencionaremos apenas os filhos que tiveram alguma ligação com Leopoldina, pois que alguns viveram em territórios ao norte e noroeste de onde veio a se formar a cidade de Cataguases, localidades que não estiveram vinculadas a Leopoldina. Lembramos que a descendência foi estudada através de documentos dos Arquivos Paroquiais de Leopoldina, dos Arquivos Públicos Municipais de Juiz de Fora e Leopoldina, e do Arquivo do Fórum de Leopoldina. Acrescentamos que algumas informações constantes na citada obra “Genealogia Mineira”, de Artur Rezende, mostraram-se insustentáveis à vista de documentos, tanto quanto informações orais obtidas com descendentes por nós consultados.

 

Antes, porém, ocupemo-nos de rápidas informações sobre a ascendência de FERNANDO LOBO LEITE PEREIRA e MARIA JOSÉ DE SEABRA.

 

Ele era filho de Antônio Agostinho Lobo Leite Pereira e Ana Francisca de Ávila e Silva. Neto paterno de João Lobo Leite Pereira e, por este, bisneto de Luiz Lobo Leite e Iria da Fonseca de Oliveira, filha de Álvaro Lindo da Fonseca e Antônia da Mata Pinheiro. Sua avó paterna foi Tereza da Silva e Ávila de Figueiredo. Neto materno de Manoel Coelho Rodrigues e Josefa de Ávila e Silva de Figueiredo. Maria José de Seabra era filha de José Coelho Seabra e Francisca Umbelina de Ávila Lobo Leite.

 

Dos filhos

     

Segundo Artur Rezende, LUIZ LOBO LEITE PEREIRA foi o quinto filho de Fernando e Maria José, nascido por volta de 1831, e casado com ANA MARGARIDA MONTEIRO DA SILVA, filha de João Ferreira da Silva e Maria do Carmo Monteiro de Barros, casal que será mencionado mais adiante.

 

Ana Margarida já residia com seus pais em território de Leopoldina, em 1838. Nasceu, provavelmente, entre 1828 e 1829. Luiz aparece, pela primeira vez, em documentos de Leopoldina, no ano de 1864, quando foi presidente da Mesa Paroquial, na Assembléia Eleitoral do distrito do Meia Pataca. Filhos do casal:

Luiz Lobo Pereira Júnior e Idalina Feu de Carvalho tiveram pelo menos um filho batizado em Leopoldina: Átila, nascido a 18 de maio de 1889. Segundo Pedro Martins, de Belo Horizonte, em mensagem de 15.08.2002, além de Átila o casal teve os filhos Aurea, Aresio, America e Achiles. Agradecemos ao nosso colaborador e atualizamos esta página, alterando o sobrenome de Idalina, constante em alguns documentos como Ferreira de Carvalho, para Feu de Carvalho como nos informou gentilmente o Pedro Martins.

 

Ana Madalena e José Augusto Monteiro da Silva residiram em Leopoldina, onde tiveram os filhos Dário (19.12.1878), Dagmar (13.08.1881), Leonor (15.05.1883) e José, nascido a 16.02.1885 e falecido a 07.04.1885.

 

Ainda segundo Artur Vieira Rezende, FRANCISCA UMBELINA LOBO LEITE PEREIRA foi a sétima filha de Fernando Lobo Leite Pereira e Maria José de Seabra. Nascida por volta de 1833, casou-se com Manoel Gomes Teixeira Campos, filho de Camilo Teixeira Campos e Ana Luiza.

 

Em Leopoldina, encontramos referência a uma única filha do casal: Maria da Conceição Lobo, em alguns documentos citada como Maria Fortunata Lobo. Esta, neta de Fernando Lobo Leite Pereira, também casou-se com um filho de João Ferreira da Silva e Maria do Carmo Monteiro de Barros, reafirmando a ligação da família Lobo Leite Pereira com os Monteiro de Barros.

 

Do casal Maria da Conceição Lobo e Marcos Monteiro da Silva, encontramos vários descendentes ligados a Leopoldina. Foram seus filhos:

Como se pôde observar, a família Monteiro Lobo esteve profundamente ligada ao casal João Ferreira da Silva e Maria do Carmo Monteiro de Barros. Moradores em Leopoldina, já em 1838, este casal permaneceu obscuro até encontrarmos, em 1995, uma informação do inventário de Manoel José Monteiro de Barros, em que é citada a filha ilegítima Maria do Carmo Monteiro de Barros. Até o momento, não temos absoluta certeza de quem tenha sido a mãe de Maria do Carmo. Suspeitamos que possa ter sido Ana Joaquina de São José, nascida por volta de 1768 e falecida em Leopoldina, entre 1838 e 1843, na residência do casal João-Maria do Carmo. Dessa forma, a origem do sobrenome Monteiro, na família Monteiro Lobo, pode ser facilmente encontrada em ampla literatura sobre os Monteiro de Barros.

 

Um outro casal vem merecendo nossa atenção, tantos anos depois de ter sido incluído em nossos Cadernos de Família, por conta de documentos encontrados no Arquivo Histórico Municipal de Juiz de Fora, em 1999. Trata-se de Manoel Caetano Rosa e Teresa Maria, pais de Manoel Caetano Gomes, que foi casado com Gabriela Monteiro Lobo. É que, na ocasião da publicação do Caderno, havíamos nos baseado em informações orais, que diziam ser o casal oriundo de Portugal e radicado em Belmiro Braga. A partir de antigo Livro de Registro de Nascimentos, Casamentos e Óbitos do antigo distrito de Vargem Grande, na época pertencente a Juiz de Fora, descobrimos que Teresa Maria nasceu ali mesmo, na localidade de São José das Três Ilhas, descendendo da antiga família mineira Gomes da Fonseca. Mais recentemente, encontramos referências aos pais de Manoel Caetano da Rosa no antigo distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual município de Argirita. Este novo documento veio demonstrar que Manoel Caetano da Rosa não nasceu no continente europeu, como até então se acreditava, e que a imigração não os levou diretamente para Juiz de Fora. Ainda estamos levantando documentos para esclarecer se Manoel Caetano Rosa teria nascido nas Ilhas Açorianas, de onde procedia a família, uma vez que transação imobiliária realizada por seus pais em Argirita, em 1846, demonstra que, para ser imigrante, ele teria nascido antes dessa data. Considerando que filhos de Manoel Caetano Rosa e Teresa Maria viviam em território de Leopoldina, no início do século dezenove, no momento suspeitamos que residiram em Belmiro Braga apenas por um pequeno período.

 

Posteriormente publicaremos outros reestudos sobre o contido em nossos Cadernos de Família.

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